A casa da esperança (2005)

A casa da esperança (2005)

Escrito por mim em 2005, durante uma viagem a trabalho ao Nordeste, como membro de um grupo de pesquisadores da UFPel. Na época tive a oportunidade de conhecer lugares lindos que todo turista adora desfrutar e a escola que a minha já falecida avó materna que era nordestina, estudou. Mas o que mais me marcou durante estes meses de trabalho em campo, saindo do consultório particular, foi a oportunidade de conhecer realidades que até então meus olhos não alcançavam e neste relato compartilhei sobre uma família que conheci. Na época eles moravam em Cabo de Santo Agostinho em Pernambuco.

A casa da esperança por Raquel Franck Barboza , Junho 2005

“Era uma vez uma casinha de taipa onde morava uma família brasileira nordestina cheia de sonhos, desejos, muita esperança e nenhum dinheiro. Nesta casa, havia muito carinho e felicidade no olhar de cada criança, era um lugar especial.

O pai da família era catador de lixo e com muito orgulho dizia: “o trabalho é tudo para o homem!” A esposa, além de desempregada não tinha com quem deixar os filhos e ficava cuidando do lar. Segundo ela “A pior vida do mundo é melhor do que morrer…”

A casa tinha paredes de barro, um jardim bem cuidado e muita esperança dentro de cada um que mora lá. Sem água encanada, tinha televisão, um fogão a lenha e nada na panela, mas muitos sonhos… plantar e colher, crescer com os amigos e a família unida. Sonhos de algumas certezas e paz.

Cada risada, choro e emoção, que faziam parte daquela casa nordestina é o retrato de milhares de outras realidades no nosso país afora, mas aquela tinha uma característica especial: a busca de uma vida digna no meio de toda aquela carência, com a esperança de um mundo melhor “

Written by me in 2005, during a trip to the Northeast, as a member of a group of researchers at UFPel. At the time I had the opportunity to visit beautiful places that every tourist loves to enjoy and the school that my maternal grandmother, who was from the Northeast, studied. But what most impressed me during these months of working , leaving my private clinical practice, was the opportunity to get to know realities that until then my eyes did not reach and in this report I shared about a family I knew. At the time they lived in Cabo de Santo Agostinho in Pernambuco.

The house of hope by Raquel Franck Barboza, June 2005

“Once upon a time there was a mud house where a northeastern Brazilian family lived. The house was full of dreams, wishes, a lot of hope and no money. In this house, there was a lot of affection and happiness in the eyes of each child, it was a special place.

The father of the family was a garbage collector and proudly said: “The work is everything for a man!” The wife, in addition to being unemployed, had no one to leave her children with and was taking care of the home. According to her “The worst life in the world is better than dying …”

The house had mud walls, a well-kept garden and a lot of hope within everyone who lives there. Without running water, It had a television, a wood stove and nothing in the pot, but many dreams … planting and harvesting, growing up with friends and family together. Dreams of certainty and peace.

Each laugh, cry and emotion that were part of that northeastern house is the portrait of thousands of other realities in our country outside, but that one had a special feature: the search for a dignified life in the midst of all that need, with the hope of a better world “

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