Gentileza, bondade e compaixão

Gentileza, bondade e compaixão

Gentileza, bondade e compaixão.

Escrito em Abril de 2018

Ontem saímos de casa, de carro com o nosso filho, a chuva estava forte. Em seguida vimos várias pessoas com seus guarda-chuvas próximas de um hospital. Estavam protegendo um senhor deitado no chão. A Samu estava chegando, nos informaram que ele estava alcoolizado caminhando na chuva sozinho e caiu.
Algumas ruas já estavam alagadas. Próximos do nosso destino, um carro com um casal estava com uma roda presa no leito da rua. Um homem parou a caminhonete com uma corda para ajudar.
Lembrei de outros dias nesta semana que passou em que vi da janela do meu consultório um rapaz oferecendo ajuda para uma senhora deficiente visual. E uma outra cena em que passei ao lado, a caminho do meu consultório: uma moça tinha parado para fazer carinho em um cachorro da rua. Cada vez que ela afastava as mãos ele pedia mais, uivando, a cena se repetia e ela não conseguia e não queria se afastar dele.
Em todas as cenas, os personagens da vida real receberam ajuda, e foram amados. Quando eu pensava no que eu poderia fazer para ajudar, alguém já estava fazendo algo.
Possivelmente quem ofereceu ajuda não eram familiares, nem ao menos conhecidos.
Mas e o quanto estamos exercitando nos nossos dias gestos de gentileza, bondade e compaixão? E o quanto estamos realmente valorizando momentos assim? Será que estamos atentos a cenas como estas? Realmente olhando para momentos como estes?
Podemos estar com pressa, olhando para baixo para os nossos telefones, ou distraídos nos nossos pensamentos em relação ao passado ou futuro.
O que realmente estamos colocando em prática e como modelos para os nossos filhos?
Que tal treinarmos um pouco mais a atenção ao momento presente, diariamente e para gestos de bondade ao nosso redor e com os outros?
Podemos cultivar de diversas maneiras, inclusive com uma comunicação não violenta, com o coração aberto, fazendo o máximo por si e pelo outro, de uma maneira empática.
Não porque um dia pode ser você quem precise de ajuda (algo um tanto egoista) mas sim praticar pelo fato de você conseguir realmente imaginar como o outro deve estar se sentindo, imaginando a dor do outro. Tais como as cenas citadas: caído na chuva, sem forças para empurrar um carro, carente de um carinho ou sem conseguir atravessar uma rua sozinho…
Ser otimista é ver claramente a realidade, com todas as dores e belezas da vida e nos coloca no compromisso de fazermos algo para mudar, diferente do pessimismo que nos cega do que realmente pode ser feito dentro da realidade tal como ela é. Façamos o bem pelo bem em si, nos pequenos momentos de nossas vidas, realmente percebendo a beleza onde menos se espera e nos momentos difíceis.
Pelotas, Abril de 2018
Raquel Barboza Lhullier

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